27 de novembro de 2009

À VITÓRIA

Outro dia me perguntaram o que me motivava a viver. Foi então que eu percebi: a vida tem - sim! - um sentido. Só não sabemos até quando. Vivemos numa constante busca por algo ou alguém que excite os nossos dias, nossas semanas, nossos meses e nossos anos. Às vezes, até que encontramos. Um amorzinho aqui. Uma saudadizinha ali. Um desejo. Uma paixão. Uma esperança. Mas os sentimentos e as emoções passam. E o mais espantoso de tudo é acordar todas as manhãs com a sensação de não esperar nada, mas ao mesmo tempo esperar tudo. Verdade seja dita: a gente sempre espera alguma coisa. Um dia feliz. Uma ligação. Flores. Recompensa. Reciprocidade. Qualquer coisa que seja. Mas a gente espera. E, cá entre nós, existe coisa melhor do que ser surpreendida? Surpreender-se com uma pessoa, com um lugar, com um objeto, com um sorriso. Surpreender-se consigo mesmo. Apesar da surpresa já ser o esperar de não saber o que esperar da própria esperança, é essa sensação gostosa de descoberta que nos motiva. É ter a certeza de que quanto mais sabemos, mas dúvidas teremos. Quanto mais erramos, mais aprendemos. Quanto mais acreditamos, mas perto chegamos. Eu vivo todo dia pelo meu sonho. Para me realizar. Me descobrir. Me conhecer. Eu vivo para ser feliz e para fazer os outros felizes. Por mais impossível que seja acordar sorrindo todo dia, eu enfrento tudo. Ou melhor, quase tudo. Em momentos, sinto vontade de parar. Às vezes mergulho de roupa e tudo aqui e quando chego bem ali, não suporto. Canso. Paro. Me isolo. Na verdade, eu acho bonito e forte isso. Olhar pra trás. Perceber que nem todo final é feliz. E reforçar o coração para a próxima luta. Porque viver não combina com o verbo parar. E a gente não pode (nem deve!) desistir de si mesmo.

10 de novembro de 2009

"Infelicidade é uma questão de prefixo." (Guimarães Rosa)

Vamos colocar os pingos nos is: que tal encarar a realidade que a vida nos proporciona sem dó nem piedade? Se você está triste, meu amigo, o problema é seu. Se seus dias estão vazios e as coisas parecem totalmente sem sentindo, (sinto despontar!) o problema também é seu. A vida é sua. E as consequências também. Tudo que está dentro de você, é problema seu. Não meu. Nem dele. É seu. Entendeu? Então, responsabilize-se por você. Tente dar um jeito - ou não - em tudo. Mas com uma condição. Deixe de depositar no outro a responsabilidade dos seus sentimentos. De quem é o coração? Quem sofre mais tarde? A culpa é sua pelo seu orgulho ferido. Pela sua desilusão que insiste em permanecer. Toda sua. Acredite, para fazermos alguém feliz, precisamos primeiramente nos fazermos felizes. E sabe o que me faz acordar todas as manhãs sabendo que o meu dia valerá a pena? Saber que eu posso fazer quem eu amo feliz. Posso. Porque eu sou feliz. Por mim. Por você. Por eles. Sou feliz porque eu vivo. E aprendi a acreditar em mim mesmo quanto a fé esteve pequena e a tristeza profunda. Difícil? Nem tanto. A verdade é que sempre é fácil pra entrar e complicado pra sair. Sair sem sentir dor. Sem sentir falta ou insatisfação. Sempre sentimos alguma coisa. Hoje, confesso, me tornei um pouco racional. Aprendi a questionar: E depois, como vai ser? Será que vou me dar bem? E mais: agora percebo que é questão de amor. Amar tudo o que somos e construímos. Valorizar o que temos de mais precioso: o coração. A gente entrega de bandeja o que não tem valor. O que não quer de volta ou não é descartável. Por isso, cuide de si mesmo para ter em quem jogar a culpa mais tarde.


OBS: desculpa o texto-desabafo, eu precisava falar isso. Existe muita gente sem-noção no mundo. A gente acha que não. Mas existe. E de montão.

6 de novembro de 2009

Sentimento que já passou de saudade...
(E o que vem mais tarde?)

Hoje eu percebi. Ou melhor, aprendi.
Não somos pequenos diante do mundo.
Somos do tamanho do nosso sonho.

(GRANDE ou G-I-G-A-N-T-E?)

Quem não sonha, não vive.

14 de outubro de 2009

ABOUT ME

Da vida, eu levo pouca coisa. O que vi ali. O que colhi aqui. O amor que não era pra ser. O que foi verdade. O que me fez forte. O que deslizou. E transbordou. Gosto da liberdade. Mas prefiro que não me deixem tão solta. A indiferença me machuca. O complicado me aborrece. Às vezes eu me perco dentro de mim sem saber ao certo o que eu realmente quero. Na verdade, eu sei aonde quero chegar, só não sei como ir até lá. Sou forte. Mas não tanto ao ponto de suportar qualquer circunstância. Gosto do simples que me faz rir. E de noite com estrela. Sou do tamanho do meu sonho. Tenho um coração que não cabe no peito. E um jeito desajeitado que não me deixa. Nunca sei a hora certa. Tenho uma teimosia que me cega. E uma rebeldia que não passa. Vivo me questionando, me pergunto se está bom, se é assim, se é esse o momento, se devo parar, se estou bonita, se posso levar pra casa, se posso te roubar pra mim. Viajo nos meus pensamentos sem fim à procura de respostas. As respostas, eu não sei. Ainda não aprendi muito bem a conciliar as coisas. Embolo a minha vida dentro dos meus desejos. E, sem perceber, estou com uma interrogação no meio da frase: Como eu vim parar aqui? E eu choro, me estrepo, me machuco. Mas não paro. Eu não sei parar. Desafio a razão quando o coração não obedece. Me faço forte. Mas me sinto pequena diante dos meus medos. Medos, eu tenho de monte. Tenho medo de cobra (em forma de bicho ou de gente), de Jornal Nacional, do escuro (depende do momento!) e de mim. Tenho medo dos meus limites e da minha inconstância que me faz perder o rumo. Tenho mania de contar nos dedos e colecionar frases. Sou tourina. Sou feliz. Tenho uma leve tristeza disfarçada. E às vezes fico distante por nada. Não gosto do morno nem de conversa mole. Tenho coragem de sobra e um coração que ama infinitamente. Gosto de abraço. Quero sempre o pulo mais alto e o beijo mais doce. Acredito - sim! - nas pessoas. E tenho certeza que viver ainda não perdeu a graça.

(Vai querer ou vai correr?)

9 de outubro de 2009

TRÊS EM UM

1.Três palavras que melhor me definem:
- Poesia
- Sonho
- Intensidade

2. Três pessoas importantes:
- Mamãe
- Papai
- Minha tia Carina

3. Três coisas que tem no meu quarto:
- Frases
- Fotos
- Livros

4. Três coisas que não sei fazer:
- Esperar
- Ter senso de direção
- Ter auto-controle

5. Três coisas que faço bem:
- Escrever
- Aconselhar
- Cozinhar

6. Três coisas que eu detesto:
- Desamor
- Música sem letra
- Falta de palavra

7. Três sentimentos:
- Amor
- Amor
- Amor

(Tem coisa mais lindas do que amar?)

8. Três músicas:
- Roda viva - Chico Buarque
- Let it be - Beatles
- Se todos fossem iguais a você - Vinícius de Moraes

9. Três comidas:
- Macarrão com muito molho!
- Mariscos em geral
- Frutas e legumes

10. Três bebidas:
- Água de côco
- Fanta uva
- Cerveja

11. Três amigos:
- Nathi
- Bárbara
- Erika

12. Três cores:
- Verde
- Branco
- Vermelho

14. Três lugares:
- Fortaleza
- Holanda
- Minha casa

15. Três gestos:
- Abraço
- Beijo
- Carinho

16. Três datas:
- 23 de fevereiro
- 4 de agosto
- 11 de outubro

17. Três coisas que eu nunca farei:
- Gostar de fígado
- Gostar de fígado
- Gostar de fígado

18. Três filmes:
- O fabuloso destino de Amélie Pouláin
- P.S.: Eu te amo
- Aonde andará Dulce Veiga?

19. Três coisas que vou fazer antes de morrer:
- Jornalismo, Filosofia, Literatura e Artes
- Publicar meu livro
- 7 tatuagens

20. Três ídolos:
- Caio Fernando Abreu
- Clarice Lispector
- Cazuza

21. Três animais:
- Cachorro
- Gato
- Tartaruga

22. Três personagens:
- Dulce Veiga
- Amélie Pouláin
- Liesel Memminger

23. Três coisas que fazem meu dia feliz:
- Inspiração
- Te ver feliz
- Boas notícias

24. Três coisas que me fazem chorar:
- Vontade
- Expectativa
- Saudade

25. Três coisas que eu fiz nas últimas 24 horas:
- Escrevi
- Li
- Falei 3 horas no telefone (bem minha cara isso!)

26 de setembro de 2009

EU, VOCÊ, O SONHO E A PEOSIA

Lá estava eu. Parada. Eu e a poesia. Nós duas. Juntas. Mudas. Te olhando. Meu peito acelerou. A vontade transbordou. E o coração disse: vai! E eu fui. Sem medo, eu fui. Te olhei nos olhos. Te abracei apertado. Coloquei sua mão sobre a minha. Você sorriu. E eu te beijei. Seria um sonho? Me belisca! E nada... Eu continuava lá. Em silêncio. Peguei uma caneta. Rabisquei. E te tatuei. Em mim. Na minha pele. Com letras maiúsculas. Meu corpo pertence a você. Quer? Toma. Leva. É seu. Você, minha poesia. Grifada em mim. Assim, de repente. Sem pensar. Sem fazer esforço. Minha poesia viva. Que eu posso tocar. Ouvir. Cheirar. Percebe? Eu posso te sentir. Te ler. Te escrever. Sem perceber, me perdi. Aonde eu fui parar? E me achei. Em você. No seu sorriso. E - palmas para mim! - era só um sonho. E eu acordei. Perdida. Aonde está você? Eu preciso. Da sua pele. Do seu cheiro. Eu preciso do seu calor. Aqui, bem aqui, comigo. Do meu lado. Pra me aquecer. Olhei pro meu lado. E (ufa!) lá estava você. No papel. Escrito, em negrito: um sonho nunca morre.

E lá estávamos nós de novo. Parados. Perdidos entre as palavras. E o desejo.

24 de setembro de 2009

A INSATISFAÇÃO É AMIGA DA MULHER

A verdade é que nunca estamos satisfeitas com o que temos. Mentira minha? Tudo bem, eu provo. Se solteiras, queremos um namorado. Se compromissadas, queremos um pouco mais de privacidade e todo aquele blablablá que a gente já conhece. As desculpas são sempre as mesmas, não tem como fugir. Só muda o ponto de referência e a intensidade do sentimento. Confesso, numa época onde não temos peito para darmos conta nem de nós mesmas, é complicado termos tempo, coragem e paciência para cuidarmos de outra pessoa. Estamos cientes de que relacionamentos trazem tantas interrogações quanto à solidão, de que ter alguém nem sempre é a solução para os problemas, de que é bem melhor estarmos sozinhas do que com alguém que nos faça se sentir um lixo. Mas não. A gente quer, tem que ter. E, cá pra nós, pobre coitado do cara que conseguir nos conquistar, porque - além de sermos difíceis!! - somos independentes, lindas e inteligentes, passamos horas e horas na academia e vivemos sorrindo. É areia demais pra qualquer caminhão. Tem que ser muito macho pra dar conta disso tudo, hein? E a responsabilidade que fica nas costas do cara? Nossa, é de dá dó! Por isso, queremos demais, exigimos demais, temos o poder (e o controle!) da situação. Quer dizer, a gente acha que tem, porque - para quem não sabe! - relacionamento não é competição de quem pode ou manda mais. Isso é feio. O que a gente espera mesmo? Um cara bacana ou um babaca que faça tudo do nosso jeito? Meninas, acordem!! Da mesma forma que você pode, ele também. (Sabia?). Relacionamento é o mesmo que dividir e aceitar. E, minha amiga, se você não está preparada pra isso, esquece! Não dá. Vai escrever, ler alguma coisa, ver um filme, mas desencana! Não é fácil está disponível toda hora, muito menos permitir que alguém adentre o nosso espaço. Mas, verdade seja dita: queremos alguém que não existe no mapa ou que nunca habitou o planeta terra. E vivemos exclamando que perfeição não existe, quando - na verdade - esperamos alguém perfeito. Sabe o que eu aprendi? Que a partir do momento que a gente espera algo de alguém, dá cilada. É verdade. Olha, não adianta tá sempre esperando muito das pessoas. Elas nos desapontam. E ser desapontado dói. E sabe mais? A culpa é nossa. Por quê? Porque quem espera é a gente. A gente que cria expectativas e faz planos, a gente que idealiza alguém pra suprir nossas necessidades. E depois? Ah, haja coração pra tantas interrogações! É sempre assim. Mas que tal mudar essa teoria a partir de agora? Vamos fazer nossa parte. Nada de esperar. Tem muita coisa mais aproveitável do que se lamentar. Eu sei que é legal namorar, mas não é tão ruim assim ficar sozinha. E uma desilusãozinha é bom de vez em quando: faz um bem danado depois que passa. E se não saiu como o esperado, tente mais uma vez! Não quer tentar de novo? Sem problemas, a vida é sua. Se não tá bom, dá uma olhandinha aqui e ali, muda isso e aquilo. Não serve mais? Joga fora! Não deixe pra depois. Não tenha medo, nem fique achando que vai morrer por causa de uma desilusão. É preciso aprender a levar um não. Somos imperfeitos e não agradamos a todos. E eu não posso dizer que um dia o amor da sua vida vai chegar, que na hora certa tudo vai se resolver. Acredito que é preciso estarmos preparadas para tudo. Pode ser que chegue, pode ser que não. (Quem duvida?). Mas nada de viver em piloto automático por não tem alguém pra dividir o excesso de amor. Amor nunca é desperdiçado. Ame a si mesma, ame um sonho. Arrisque. Não tem com quem dividir os medos? Amigos existem pra isso. Aproveite seu tempo enquanto ainda há tempo. Supra suas carências de você. Às vezes olhamos tanto pro que estar em nossa volta, queremos tanto o que não nos pertence. E esquecemos o principal de tudo: da gente.

13 de setembro de 2009

CARTA PARA MINHA TIA

Ah, minha querida, ultimamente não tenho tido sossego. Meu coração não sossega. Minhas verdades estão tão emboladas. E eu não sei muito bem o que eu quero, não sei o que esperar de mim mesma. Às vezes me sinto pequena demais diante do mundo. (Ou será o mundo pequeno diante de mim?). Como anda a vida? A vida, eu não sei. Eu não sei de tanta coisa que me perco aqui dentro tentando encontrar algumas respostas. E as respostas não chegam! Já sentiu isso? É estranho. E dói. Uma dor infinita que não passa. Por que estou triste? Eu não estou triste. Só dói. E eu tenho motivos de sobra pra sentir dor. Olhe o mundo! Consegue ver? Tudo parece tão igual. As pessoas andam tão distantes uma das outras. E têm horas que as explicações não se batem e eu me questiono: por quê? E isso me dói. Ver o mundo triste me dói. Estar longe de você me dói. Minha loucura me dói. Você sabe, você me conhece. Eu nunca fui certa. E essa rebeldia tem me machucado tanto, minha querida. Eu não consigo parar. Eu não consigo dar conta de mim sozinha. Não consigo. Só tenho um coração. E ele me faz perder o rumo. Ele me faz sentir medo. Medo não dos outros, medo de mim mesma. Eu não tenho muitos medos, mas coragem eu tenho de monte. Vivo intercalando, procurando não-sei-o-quê pra me fazer um pouco (ou um tanto) mais feliz. E isso me trás uma angústia enorme, porque eu vou sem saber pra onde estou indo. Minha vida é muito maior que um dia, mas as horas passam tão rápido, os dias são tão curtos. E me sinto meio cansada. Cansei dos meus amores impossíveis. Coisas impossíveis não cabem mais em mim, não me merecem. Cansei das (tantas) noites em claro. Cansei. Ando meio de saco cheio da realidade também; às vezes ela é tão cruel. Acredite, sou bem mais feliz que triste. Vivo sorrindo. Mas em momentos me sinto tão pequenininha, tão cheia de limites que minha razão vai além do que eu realmente quero. As responsabilidades estão começando a aparecer e eu percebo o quanto é difícil ficar adulto. É tão difícil perceber que agora é você contra você mesmo. Descobri: eu sou do tamanho do meu sonho. Sonho no qual eu pinto, risco, rabisco, embolo. E guardo no fundo da gaveta para que descanse e não canse. Porque eu não posso desistir. Eu não posso parar. Eu sei me defender, mas não gosto de definições. Não sei me definir. Tenho um mundo inteiro aqui dentro e isso pesa. Meu querer pesa. E eu me entrego a vida sem entender. (Tem coisa mais doida que isso?). Desculpe, estou me perdendo. Preciso aprender a ser menos dramática. Preciso aprender a controlar minhas vontades. Mas eu tenho tanto. Tanto pra dar. Tenho tanto amor. Ah, minha tia, eu amo tanto! Amo sem medo, amo sem fim, amo com letrinhas maiúsculas. AMO. E sabe o que eu aprendi? Que quem ama demais dar mais do que deve e recebe menos do que merece. (Sabia?). É verdade. Eu não cobro amor. Amor não se cobra. Mas às vezes cansa. A gente cansa de amar sozinha. E eu não sei dar pouco de mim. (Será esse o meu erro: amar demais?). Eu sei que não preciso de muito para ser feliz: basta acreditar. E eu acredito. Enquanto eu não entendo, vou vivendo. Assim, sem saber. Tentando me entender, me conhecer mais. E com uma única certeza: a saudade está infinita. E as palavras continuam me guiando.

Me dá sua a mão?
(Estou sem senso de direção).

5 de setembro de 2009

QUERER NÃO É PODER

É aquela velha história: não se tem tudo que se quer ter. Eu sei, não é fácil assumir que não supriu suas expectativas, que toda aquela luta foi em vão, ou que nem chegou a acontecer. Não é fácil olhar para si mesmo e sentir-se perdida no emaranhado de tudo que construímos diante de uma pilha de sentimentos. O tempo é curto. A espera é longa. E não existe garantia pra felicidade. Não se compra sorrisos no Mercado Livre nem amores no Submarino. Acho viver espantoso por isso. Porque é preciso ter coragem (e muito peito!) para seguirmos com uma interrogação bem no meio da testa: será que vai dar certo? É esse o caminho? É essa a hora? É pegar ou largar. Pagar pra ver. Fazer planos sem a mínima certeza do que vem mais tarde. Ficamos à mercê de uma resposta que só chega se arriscarmos. E se não sair como a gente espera? Respira fundo, ergue a cabeça e bola pra frente! É assim. Por mais complicado (ou simples) que possa parecer. Bem que poderia ser mais fácil de vez em quando. Termos uma garantia, uma só que fosse, uma só vez. Quem sabe numa dessas situações que a gente deposita as melhores intenções e o maior objetivo? Nada mau! Pouparia muitos corações, tenho certeza. E não existiria tanto orgulho ferido por aí. Sei lá, às vezes jogamos a responsabilidade de ser feliz em cima de algo ou de alguém e, de repente, tudo se desfaz. A vida se desfaz. E a gente se torna pequeno demais diante de tanto sonho, de tanta vontade, de tanto sentimento. Talvez aí esteja o problema: jogar a responsabilidade de ser feliz no outro. Não pode ser assim. Vamos simplificar? Ninguém é dono de ninguém. Eu não posso fazer brotar sentimento aonde não existe sentimento. Eu não posso. Não tenho esse direito sobre as pessoas. Ninguém tem. Eu não posso forçar, obrigar, exclamar. Eu não posso simplesmente querer e - num passe de mágicas! - ter. Não é assim. Sabe o que me faz acordar todas as manhãs com um sorriso estampado na cara? Saber que eu tenho a responsabilidade de ME fazer feliz. Eu tenho a obrigação de ME sentir bem, de ME realizar, sem precisar depositar esse dever em alguém. Por isso, tome nota! Você é responsável por aquilo que sente. Você é responsável pelo seu coração, pela sua vontade, pelo seu sonho, pela sua vida. Isso mesmo. No fundo, lá no fundo, a gente sempre tem culpa. E que bom que temos culpa! Pelo menos nos encarregamos de NOS perdoar sem depender do outro. (Chega de depender do outro!). A gente se perdoa e - pronto! - instantaneamente as coisas se resolvem. Afinal, nem tudo pode ser como a gente quer, nem tudo sai como a gente espera, mas isso não quer dizer que não valha a pena.

2 de setembro de 2009

É PRECISO TER PALAVRA

Quando eu era mais nova mamãe me puxou a orelha por eu ter prometido uma amiga ir à sua casa e, não me recordo por qual motivo, acabei não indo. No dia, naquele momento, fiquei muito chateada com a minha mãe. Não entendi a razão que a levou a puxar minha orelha com tanta força. Hoje, sem aquele ato, eu não saberia o verdadeiro valor e importância de ter palavra. Não entenderia o quanto é feio faltar compromisso com alguém. Aprendi que a partir do momento que prometemos algo, essa promessa pode gerar expectativa. E expectativa (para quem não sabe!) nada mais é do que esperança. Esperança gera ansiedade. Ansiedade gera mais e mais expectativa. E quando não cumprimos uma promessa, isso pode machucar e ferir (sabia?). Para mim aquele compromisso talvez fosse coisa banal, mas minha amiga poderia estar me esperando com o melhor sorriso e preparado uma surpresa para me deixar um pouco (ou um tanto) mais feliz. Por isso, hoje eu penso duas vezes antes de fazer uma promessa. Porque, ao contrário do que possa parecer, promessa é dívida e deve ser quitada. E não é tão simples quanto aparenta. Promessas nem sempre são seguidas à risca. E falta de palavra me deixa triste e sentindo uma leve dor no peito. Não é bobagem, não. Ninguém gosta de ser deixada na mão. Bate logo aquela coisinha ruim lá no fundo, um desaponto, uma tristezinha aguda. Eu, pelo menos, fico logo de cara feia e bem brava. Fico mesmo. Me dá um desânimo. Uma desmotivação. De verdade. Isso não é brincadeira. Nunca gostei de me sentir como segundo plano. (Quem gosta?). Acontece, eu sei. Mas não pode ser constante. Porque isso dói. E sentir dor não é legal. Pessoas não são objetos que você brinca, usa, abusa e descarta.


P.S.: Ainda bem que minha mãe me ensinou a ter palavra. E isso eu tenho de monte. Pra dar. E vender.

31 de agosto de 2009

TEMPO AO TEMPO

Eu te dou um tempo. O tempo que for preciso. Eu dou. Não importa. Mas uma coisa sigo à risca: o tempo passa e a vida muda. As intenções mudam. Os sonhos, os desejos, os medos, as (in)certezas. Muda-se o preço do pão, as dez mais bonitas, as tecnologias, as tendências, as circunstâncias, o clima lá fora. Eu mudo, você muda, eles mudam. Tudo muda o tempo todo. Às vezes a dúvida nos rouba o sono e o relógio desgasta o pensamento e o coração. Mas - relaxa! - o tempo cura. O tempo resolve. O tempo é o melhor remédio. E enquanto eu tiver perguntas, continuarei à escrever. Assim, como sempre fiz. Ditando frases. Indagando a letra. Guardando pensamentos no fundo da gaveta para - quem sabe? - um dia transformá-los em papel. Guardo o melhor de mim nas minhas palavras. Não quero um amor forçado. Não quero programar uma vida inteira e me importar tanto com o desnecessário. Depois de tanta procura, eu encontrei o mais fiel e sincero fruto de todos os amores impossíveis que já tive: por mim mesma. Me apaixonei pelas minhas falhas, pelos meus tantos tons e pausas. E, por favor, me deixa aproveitar esse MEU momento. Me deixa te fazer enxergar que eu não sou descartável e que eu me amo! Pode rir, eu não me importo! (Não mais!). Não vou fingir ser o que não sou. Não sei até onde eu vou. Não sei o quanto eu aguento. Não conheço meus limites e meus medos. Tenho pouca regra. Mas eu não posso mais me enganar. Não posso fingir que a vida anda um conto de fadas, que eu não me importo com a MINHA PELE, que estou sempre com a alegria estampada na cara e o café na mesa. Não posso. Não quero. Não suporto. Eu não sou sempre ponto de apoio e referência. Tenho uma paciência mínima pra esperar e não nasci pra dar sem receber. Não nasci pra receber pouco e me contentar com pouco. Eu quero muito, eu tenho muito aqui dentro e não vou mais me submeter a histórias mal-contadas e falta de compromisso. Pode parecer bobagem, mas eu tenho um coração que ainda bate (sabia?), um coração que ama, sofre, chora e sente. Um coração que um dia quase acreditou no seu olhar de promessas e na sua meia-verdade. Sim, eu dei meu coração de bandeja. Sonhei, fiz planos, depositei as minhas melhores intenções e o meu melhor sorriso em você. Mas não tem nada, não. O tempo está em nossas mãos, escorre entre os dedos e tem a solução para todos os nossos problemas.
Ah, mas - quer saber? - a verdade é que a solução tá dentro da gente. Porque o tempo corre. E a vida me chama!


P.S.: Vai pela direita que eu vou pela esquerda. E tenta não cruzar o meu caminho. Eu mordo. E causo um estrago medonho.

29 de agosto de 2009

TEM O CERTO, TEM O ERRADO

Tenho uma teimosia que me cega. Um jeito desajeitado que não me deixa. Uma incerteza que não passa. Nunca sei a hora certa. Odeio meio-termo. E nunca gostei de coisa preparada. Eu gosto de inovar. De ser. De me inventar. De me fazer e refazer. De me virar e revirar. Sei pouca coisa dessa vida e certezas nunca me calam, mas afirmo de trás pra frente, em caps lock ou em todas as línguas e em negrito: eu vivo pra sentir. O que quer que seja. A dor. O amor. O sorriso. A palavra. A saudade. O desejo. A vontade. Mas eu tenho que sentir. Um gesto, um cheiro, uma frase, uma desilusão, um deslize, uma leve tristeza ou uma profunda alegria. Não importa: me faça sentir. Eu quero te sentir. Sentir sua verdade. Vamos, fale! Eu quero provar. Ouvir. Cheirar. Eu quero te ler. Não é de mim poupar verbo. O mínimo não me interessa: tem que ser inteiro. O racional me aborrece. O complicado me desanima. Eu gosto do que é simples. Da palavra inteira. Do silêncio que tanto diz. Da rima perdida transformada em vida. Eu gosto do que me faz perder o ar. O fôlego. A voz. Eu gosto do que me vira ao avesso. Do que me faz tremer. Suar. Eu gosto do quente. E do frio. Ou eu gosto de tudo. Ou de nada.

17 de agosto de 2009

EU ACREDITO

Se eu pudesse escolher um verbo hoje, escolheria o verbo acreditar. Assim, conjugado na primeira pessoa do singular: eu acredito. Acredito no sonho. No tempo. Na força. Nas palavras. Acredito em mim. Em você. E neles (que eu nem sei quem são). Eu acredito no desejo. No amor. Na interrogação que não questiona. Eu acredito nas pessoas. Na sua pessoa. Na sua nada-perfeita pessoa. Eu acredito que nem tudo está perdido. Que a solidão não se segue à sós. Que coincidências existem. E que nem tudo sai como a gente espera. Eu acredito na saudade. Na vontade. No refrão. Na rima. E no coração. Acredito no beijo. No abraço. No silêncio. Acredito no olhar. Na manhã. E no amanhã. Acredito na mudança. Na esperança. E na doce-lembrança. Acredito no vento. No céu. Nas estrelas. No mar. Acredito que é sempre melhor deixar rolar. Acredito - sim! - que o que é nosso sempre fica. Que o que fica nunca vai. E, se vai, sempre volta. Acredito que só aprendemos quando erramos, mas nem sempre que erramos aprendemos. Eu acredito no sorriso. No pedido. Na tentativa. Na superação. Acredito que nunca é tarde. Que nos fazemos firmes conforme as experiências. E que viver não perdeu a graça. E, por mais que doa, eu ainda acredito. Sempre. É assim que eu me faço forte, é assim que eu crio coragem pra desafiar a razão: acreditando.


7 de agosto de 2009

VIDA REAL (?)

Hora de acordar, trabalhar e almoçar. Hora de saber-o-que-esperar-de-si-mesmo. Hora de encontrar, de falar e de se queixar. Ponteiro avisou, coração acelerou: hora de ir à luta! E você corre. Passa por cima. Atropela. Destrói. Fere. Magoa. Mas vai. Sem pensar em nada. Afinal, o tempo corre e não espera. Ninguém tem hora certa, mas você sabe que a sua hora chegou. É a SUA hora e de mais ninguém. E 24 horas por dia é pouco pra você. O relógio não econimiza tempo e não dá conta dele mesmo. Corre. Corre. Tic-tac. O mundo da tecnologia agarrou você pelo calcanhar. A falta de amor esqueceu de ir embora. E as futilidades te fizeram esquecer que seres humanos existem e precisam de atenção, amor e carinho. Ainda existem pessoas? Pouco importa. Ah, peraí, gente, pára tudo! Chega de passar por cima do outro, de não pensar no outro. Chega!!! Chega de contar nos dedos, de viver em função do tempo. Seu tempo não está em relógios. E você não precisa atropelar alguém pra ser reconhecido. Sua verdade está dentro de você. A hora certa chega quando estamos preparados para encará-la de verdade. A gente sente. É instantâneo. Sem fazer força. Sem precisar ferir ou machucar alguém. Chegou a hora de se comportar como gente grande. Isso, sim. De encarar a realidade. De colocar o pingo nos is. Difícil? Nem tanto. Basta uma pitadinha de amor. Uma dose de determinação. E um sorriso pra disfarçar a tensão. Respire fundo. Peça perdão. Abra o coração. O mundo não está triste só por causa das guerras e do superaquecimento global. O mundo está triste porque as pessoas esqueceram de olhar para elas mesmas. Todos se esconderam atrás de um falso modernismo e materialismo para camuflar seus medos. As pessoas esqueceram de gostar DE pessoas. A tecnologia ocupou todo nosso tempo com wireless, conexões via satélite que tem a velocidade da luz, infra-vermelhos, bluetooths. E, assim, nos consolamos, curamos a solidão e a dor sem piscar os olhos. De-olho-na-telinha. Por isso, resolvi escrever esse texto hoje, porque eu não estou conectada a um mundo de farsa. E, aqui de fora, eu vejo um mundo de gente triste. De gente morna. De gente que se contenta com pouco. Com emoções baratas. E sorrisos artificiais. Viver exige coragem. Tem que fazer. Realizar. Construir. Amar. Porque vida ao vivo é para poucos. (E para muitos!). E o tempo do relógio não dá conta do meu coração.


4 de agosto de 2009

PARA FULANA

Ah, minha querida, eu acho tão triste esse hábito de comodismo do ser humano. A gente se acostuma com tanta coisa na vida que tudo, com um tempo, vai perdendo a graça. A gente se acomoda com a toalha jogada na cama, o controle remoto em cima da barriga, a boca cheia e a preguiça na mão. A gente se acostuma com os dias quentes, com as noites solitárias e com a falta. Você já sentiu isso na vida: acostumar-se com a falta de algo ou de alguém? Então, você não está sozinha. Acredite você que por todo esse tempo eu senti uma saudade medonha, mas - quando ele voltou - foi como se não tivesse voltado. A falta dele se acomodou em mim. E eu tive tanto amor um dia. Tanto. Tanto. Tanto. Tanto que me sufocava. Me fazia perder o ar. E hoje - como pode ser assim? - não sinto mais nada. E nem é por querer. Eu até queria, sabe. Eu queria poder olhar pra mim e me sentir viva de novo. Cheia de amor. Não que eu me sinta morta. Não me interprete mal. Mas quando ele entrou naquele avião em Agosto do ano passado, levou junto uma parte de mim. E deixou um vazio repleto de dor. Você consegue imaginar o quanto dói um vazio transbordando dor? Doeu muito. E eu fui me reconstruindo. Juntando os cacos e refazendo minha vida. Daí, agora, ele volta e quer que eu esqueça todas as minhas dores? Eu sei que não devemos guardar mágoas. Afinal, da vida a gente leva tão pouco. O que viu ali. O que aprendeu. O que colheu. O que foi, por quase engano. E é justamente por isso que eu guardo isso comigo. Porque foi essa ausência constante de amor que me fez perceber o quanto eu era enganada e não sabia. Por mim.

P.S.: não esqueça de renovar as lembranças!

Beijos, até mais.

2 de agosto de 2009

CARTA PARA UM AMOR DISTANTE

Hoje eu li uma frase no livro do Nietzsche que me fez chorar. Não de tristeza. Chorei porque te senti como nunca havia sentindo antes. Tão forte. Tão presente. Tão real. Não sei se isso foi um sonho e - do nada - você apareceu sorrindo no meu quarto pequeno. Só sei que meu coração tão leve - daqui - te sentiu. Eu me agarrei nesse sentir e me perdi nessa coisa de tentar achar explicação pra tudo, porque - no fundo - só eu sei o quanto me sinto feliz agora. Uma felicidade plena, inteira e quase infantil. Não sei por quê. E, por favor, não me faça perguntas. Eu não entendo de muita coisa dessa vida. Mas a tal frase era simples (como tudo que eu gosto): "o que é a distância para um amor sem medidas?" Ah, meu Deus, Nietzsche sempre soube! Ele me entende. (Você me entende?). Viu só que lindo? Percebe? O que é alguns quilômetros diante do que eu sinto? O que é uma estrada diante do meu coração contente por te ter presente (mesmo que de uma forma ausente) na minha vida? Nada. Não é nada. E eu poderia morar nos seus olhos lindos se você permitisse. Eu poderia te escrever uma história de amor, uma canção, um poema, um verso simples. Mas - sei lá - você me rouba as palavras. Me perco nelas quando o assunto é você. Complicado. Ou pode parecer simples, não sei. Você consegue sentir meu coração daí? Escuta. Pode me ouvir? Olha o tumtumtum. É por você que ele bate! Forte. Forte. Ah, meu amor, esse coração me engole! Engole minhas palavras, me alimenta! E eu já quis tanto encontrar alguns porquês pra vida. Já quis tanto entender. Tanto. Tanto. Mas descobri. Ou melhor, aceitei: explicação mesmo, eu sei: não há. Não há, entende? NÃO HÁ! Por isso que eu não procuro mais entender o meu sentimento. Ele existe. Existe e me consome. Toda. Por inteiro. Me desculpe, não é de mim sentir pela metade. Não está em mim poupar palavras. Nunca fui certa, você sabe. Não me peça pra parar. Eu não consigo. Não consigo não-perder o controle de vez em quando. Posso confessar? Jura que vai acreditar em mim? Ando meio cansada de tudo. Do tempo, da realidade, de física, de histórias românticas, de noite sem estrela, de música sem letra e de gente chata. Ando cansada da distância. Cansei desse desejo infinito de querer ser tanto e ter apenas um só coração. Uma só vida. E um jeito desajeitado que não me deixa. Eu queria, hoje, poder dizer que o tempo passou, que a ilusão acabou e que o sentimento não é mais o mesmo. Mas eu continuo sentindo muito. Infinitamente. E meu sentir não tem fronteiras. Meu desejo não tem limites. O coração sente. E a mente cala.


29 de julho de 2009

FAXINA INTERIOR

Da vida eu levo pouca coisa. Não guardo mágoas. Não deixo pra depois. Não tenho regras. Não existe começo, meio e fim em mim. Mas aprendi que é preciso respeitar o próprio tempo. É preciso saber a hora de parar. Não é fácil, eu sei. Ter auto-controle sobre o que sentimos requer muito conhecimento sobre si mesmo e um amor incondicional por tudo aquilo que somos. Mas eu sempre acreditei nessa coisa de que quando a gente quer, a gente consegue. (Você acredita?). Quando o desejo vem lá de dentro, é preciso ter muito peito e coragem para seguirmos o que temos de mais valioso: o coração. Por isso, esquece o medo, a falta de plano, as noites em claro. Esquece. Não vale a pena guardar ressentimentos e coisas mortas. Guarde dentro de você um beijo doce, um abraço apertado, um sorriso ou uma palavra bonita pra te fazer sonhar. Nada de tristeza. Chegou a hora de tirar a sujeira. Desocupar lugares. Limpar tudo. E recomeçar.

14 de julho de 2009

NÃO TÔ NEM AÍ

Hoje eu não tô nem aí pro tempo, pra tecnologia, pro preço do pão, pra música sem letra e pra pessoas sem-noção. Não tô nem aí pras preferências, pros tons da estação e pros problemas que têm solução. Outro dia - quem sabe? - eu penso nisso. Ou escrevo sobre isso. Hoje não. Hoje quero pensar em mim. Ser egoísta, chata e dramática. Quero ficar sozinha, atravessar o outro lado e provar que eu não sou nada disso que você disse. Eu tenho muito dentro de mim e não vou ficar dando sem receber, não vou mais fantasiar momentos e criar circunstâncias pra me poupar e sofrer menos. Me deixa. Eu me viro sozinha. Eu cuido de mim. Não me procure, não me telefone, nem mande flores. Não vou dizer que o sentimento mudou, que a fé balançou e que a desilusão tomou conta (apesar de ser um pouco verdade), só estou cansada. De mim. E eu poderia dizer que o problema não está em você, que a culpa foi minha, que eu deveria ter ligado, procurado e me importado, poderia dizer que tudo não passou de um deslize meu por achar que dar um tempo seria uma boa estratégia pra sentirmos falta um do outro. Mas não. A verdade não é essa. A verdade está aqui dentro. E só meu coração sabe. Só eu sei. Será que você não percebe que eu quero que você perceba o quanto eu me amo e que mereço ser preservada? Não, não percebe. Você não sabe. Nunca soube. Mas quer saber? Eu não tô mais nem aí pro que você pensa. Quero pensar em mim e salvar a minha pele. Tem tanta coisa mais importante na vida do que sofrer por amor. Do que viver um amor. Do que chorar por um amor. Do que lamentar um amor. Se não deu certo, esquece. É difícil. Dói. Dói muito. Mas o melhor de tudo é que quando passa a gente enxerga um tanto de coisas que não queria enxergar. A gente percebe que lá no fundo, bem no fundo, existe um coração que ainda bate forte e não se contenta com pouco. Cheguei à conclusão (quase infantil) de que amor a gente nunca esquece, mas passa. Não me pergunte quando, nem como. Nem se preocupe em entender. A gente nunca entende nada mesmo. Deixa por conta do tempo. Não adianta ficar empurrando a vida com a barriga e encarando as consequências de cabeça baixa. Desencana. Olha o mundo lá fora! Olhe pra ele! Tão gigante no meio do que sinto. Sou tão pequena diante do mundo, mas tão significante pra ficar perdendo meu tempo com lamentações. Tenho muito aqui dentro. MUITO! Sonhos. Palavras. Pensamentos indo e vindo. Um coração enorme que me guia. E um amor incondicional por tudo aquilo que sou e deixei de ser. Por isso que resolvi escrever esse texto. Porque eu preciso aprender. Porque já estive muito aí pras pessoas, já me importei demais com ilusões baratas e com amor de mentirinha. Chega. Hora de desocupar lugares. Filtrar emoções. Respirar fundo. E seguir.

Hoje, não tô nem aí.

2 de julho de 2009

LEVANDO DA VIDA O QUE A VIDA LEVA

Eu continuo sentindo muito. Por mais que a desilusão me puxe pelo pé, me arranque o sorriso, me roube o sono, eu nunca paro. Nunca sei a hora certa de parar. Não sei fugir, não sei fingir. Não é de mim poupar verdades, não está em mim esconder vontades. Tenho sede por tudo que não conheço. Por isso, invento. Invento pra vê se acredito em mim. Colo frases. Coleciono versos. Busca palavras. E sigo estrelas. Quase nunca eu sei o que realmente quero, o que é melhor, qual o caminho à seguir. Eu nunca consegui entender por que sofro por nada e sinto por tudo. E, às vezes, me perco em mim como se o mundo fosse grande e eu pequena demais pra ele. Meu silêncio se esvai e tudo por dentro grita e ferve. Indago a letra, o verbo, o sujeito. Conjugo a vida no meu tempo simples e imperfeito. E sempre tenho uma interrogação no meio da frase: o que eu quero mesmo? E eu vou. Com o coração na boca. A dúvida na mão. O sorriso na cara. E a certeza de que, sem saber como, eu vou chegar lá. Eu não quero uma vida pequena, um amor pequeno ou uma alegria que caiba na bolsa. Quase impossível deixar pra ser feliz amanhã. Chega de esperar, de fazer jogo, de fazer tipo. Chega de guardar a roupa nova pra data especial, de esconder a declaração dentro da gaveta e a ousadia em baixo do tapete. Voe. Imagine. Sonhe. Ame. Ouse. Desafie a razão. Eu não estou fazendo nada de espetacular. Mas estou tentando deixar as coisas um tanto mais bonitas. Quem me conhece, sabe. Sempre paguei pra ver. Duvidei. Teimei. Falei. Fiz. Sempre dormi tarde. Sempre fui diferente. Sempre me feri, me fodi, me estrepei. E tudo por minha conta. Não é demais? Eu paguei pela minha dor e ainda continuo inteira. Acho lindo e forte isso. Porque nós somos todos responsáveis por aquilo que sentimos. Mentira minha? Ah, não diga! Por isso eu admiro gente corajosa. Gente que não quer saber de muita coisa. Gente que não tem vergonha de ser gente. Porque não é fácil. Ninguém acorda de bom-humor todo dia. Ninguém sorrir o tempo todo. Até porque todos nós temos problemas, coração e um cartão de crédito que não perdoa. Mas haja saco pra gente morna. Eu odeio gente que não arrisca. Não suporto gente que pára no meio do caminho. E, no final, ainda pergunta de quem foi a culpa. Ah, ME POUPE! Assuma a responsabilidade do seus atos. E vá logo viver. Se é pra viver, tem que viver direito. Com classe. E ousadia.

21 de junho de 2009

CONSTANTEMENTE INCONSTANTE

Eu sempre fui desorientada. Acredite você que eu nunca tive jeito com as coisas. Nunca consegui dar pouco de mim. Quase nunca estou pra ninguém e quase sempre me dou por inteiro. Só que agora percebo que sou exagerada, como você sempre disse. Nunca tive calma e vivo correndo por dentro. Mas sempre corri por medo de te perder de vista, por medo que te levassem de mim. Ah, não me leve a mal. Eu sei que foi tolice minha achar que te teria. Me enganei. Admito. Admito também que fingi acreditar na minha constante mentira de achar que era verdade. Eu sempre soube que não era verdade. E a verdade é que eu sempre tive essa mania de inventar pra minha invenção que eu acredito no que invento. Desculpe. Sou tão inconstante que, às vezes, minha própria inconstância cansa de tanta novidade.

29 de maio de 2009

SEM MAIS DELONGAS

Se sabemos aonde vai dar, por que ir em frente? Difícil. Ou pode parecer simples, não sei. Mas para começar é preciso, primeiramente, saber terminar. Deixar de lado tudo que faz mal, tudo que inflama e faz sangrar. Deixar de lado o que não faz diferença e passar a se importar com o que realmente importa. Não estou dizendo pra você não ir. Vá. Eu também vou. Mas se sabemos que vai doer, por que não parar? Eu prefiro, hoje, ficar na dúvida do que teria sido se eu não tivesse desligado, do que sofrer e ficar com o orgulho ferido. A verdade é que, aqui, nada é fácil. Nem tudo sai como queremos. Nem tudo sai como planejamos. O mais difícil é aceitar essa consequência. Aceitar que ele te deu um pé na bunda. Aceitar que você ama sozinha. Aceitar que você dar sem receber. Aceitar sua rebeldia que não some. Se aceitar. Por isso, termine. E renasça. Arrependa-se. Arrisque. Jogue-se. Mas não esqueça de terminar. Sempre termine. Termine com si mesmo. Termine com aquele amor não-correspondido. Termine com pessoas que não se importam com você. Termine com a saudade que te faz chorar. Termine com a lembrança que não te deixa dormir. Termine com a culpa. Termine. Desligue. Descanse. Renove-se. Pare de se culpar. A culpa nem sempre é sua. A culpa nem sempre é minha. A culpa nem sempre é dele. Liberte-se. Esqueça a falta de fé e a maquiagem borrada. Hora de recomeçar. Hora de viver o agora sem pensar no ontem. Eu estou cansada de tanto ontem, de tanto tempo, de tanto esperar. Termine com o ontem. Termine com o tempo. Termine com o verbo esperar que insiste em aparecer na sua vida. Não espere. Mas, por favor, antes de ir, termine. É preciso terminar pra se sair melhor do lado de lá. É preciso se perdoar pra aprender a se ajustar. É preciso parar pra saber começar.

27 de maio de 2009

O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA?

Eu não aprendo. Nunca aprendo. Incrível como em momentos me considero literalmente burra. É de mim inventar amores. Parece loucura, eu sei. Mas invento. Invento pra me distrair, pro sangue correr pelas veias, pra adrenalina subir no corpo. Invento porque sou uma maluca que ainda sonha com amores cinematográficos. Eu assumo! Pode rir, debochar, eu não ligo. Assumo com todas as letras. Brinquei de amar e continuei acreditando que sempre brincaria sem um dia a exclamação surgir bem no meio da minha testa. E agora estou assim. Vazia. A verdade é que não aguento mais amar de mentirinha. Estou cansada de viver voando. Têm noites que eu acordo no meio de um sonho chorando. Choro porque no fundo só meu coração sabe. Só meu coração que quer tanto mas de tão pouco precisa, entende. Hoje eu poderia tirar o dia pra reclamar. Reclamar da minha rotina, dos meus problemas, do fora considerável que levei, mas não. Prefiro agradecer. Agradecer por nunca parar. Agradecer por essa força e determinação que Deus me deu. Agradecer por ter um coração que compreende e ama muito. Agradecer pela minha fé que quase nunca balança. Agradecer por ser gente de verdade. Por mais duro que seja, aprendi a me aceitar. Meu peito bate fraco e por culpa minha. Culpa por achar que sonhar demais leva a algum lugar. Por isso, vou enfileirar minhas falhas e estudá-las com mais atenção. Estudar pra me ajustar. Eu preciso. Preciso acordar uma nova Tainá. (Entende?). Preciso acordar e acreditar de novo. Em mim.